Inglês, a língua da Ciência, Tecnologia e Inovação

por | jul 8, 2021

Por Lídia Anita, professora de Inglês Instrumental e Business English, estudante de Pós graduação em Neurociência aplicada à Educação. Bacharel em Bioquímica pela Universidade Federal de São João del-Rei, sraduação Sanduíche pela Flinders University - South Australia.

 

 

A importância do inglês como uma ferramenta na ciência,tecnologia e inovação em bioquímica é indiscutível e este é o idioma destas áreas na atualidade. Todas as revistas científicas de relevância internacional são escritas em inglês, e quando o quesito é fator de impacto não se pode considerar uma revista que não tenha um alto fator de impacto que não seja escrita em inglês. Mas vocês já pararam para considerar todas as vantagens de se ter uma língua única para comunicação a nível global dentro da área acadêmica?
O primeiro aspecto é a transferência de conhecimento entre profissionais de idiomas maternos distintos. A proficiência no inglês permite que os bioquimicos de diferentes áreas de atuação (cientistas, analistas clínicos,gestores de inovação, analistas da qualidade, profissionais de transferência de tecnologia etc...) se expressem em um idioma comum e isso confere multidiversidade ao se analisar um mesmo dado por exemplo. De acordo com Lera Boroditsky, professora de Ciência Cognitiva da Universidade de Califórnia, nossa língua nativa modela o jeito que pensamos e modifica até mesmo nossa habilidade de resolução de um problema em específico. Sob essa perspectiva é interessante considerar a formação de uma equipe com membros de diferentes partes do mundo em um laboratório e a fluência na língua inglesa nesse caso seria fundamental.
O segundo aspecto tange a disponibilidade equalizada para todos que assim quiserem a informação publicada, concedendo oportunidade de acesso ao conhecimento de forma coletiva. A quantidade de informação a mais que podemos ter acesso pelo simples fato de sermos bilíngues é infinita e exponencial. Execute esse experimento rápido: se você procurar no Google em português "As Vantagens de ser Bilíngue" você irá achar algo como 213.000 resultados, entretanto se você fizer uma nova busca, mas agora com as seguintes palavras “Advantages of being bilingual" você irá encontrar 5.800.000 resultados. Impressionante a diferença, certo?
Um terceiro ponto a se considerar e não menos importante é que como qualquer ferramenta, um idioma também pode ser usado como uma ‘’arma’’. Barreiras linguísticas podem gerar tensões políticas e em um contexto científico, um artigo não publicado em inglês pode causar efeitos em uma escala planetária. E esta situação específica foi descrita na Smithsonian Magazine em 2 de Janeiro de 2017. Segundo a reportagem, 5 anos antes da epidemia de H1N1 de 2009, cientistas chineses alertaram para 2 subtipos de influenza que estavam circulando em porcos e que tinham potencial para causarem uma pandemia. O problema? Esse estudo foi publicado em um pequeno journal de medicina veterinária e em chinês!
Os benefícios de uma linguagem universal na ciência, tecnologia e inovação são incontestáveis e para além, atualmente o inglês é o idioma do mundo tecnológico em que vivemos e das conexões em tempo real nas quais não existem limites de distância física. O inglês não é mais diferencial e sim eliminatório em um processo seletivo e quando ponderamos que apenas 5% da população brasileira se considera fluente vemos a lacuna que precisamos preencher considerando a importância desse idioma para o mundo. O mercado está inundado de excelentes profissionais extremamente qualificados que perdem oportunidades dentro do próprio país e no exterior por não terem o domínio do inglês e os principais motivos para essa deficiência está em experiências traumatizantes com aulas no ensino médio e acesso extremamente elitizado a ensino de qualidade no Brasil. Como consequência disso e falta de investimento na ciência brasileira nos últimos anos, nosso país tem sofrido imensamente com perdas incalculáveis.
Então, como contornar esse problema estrutural da sociedade brasileira? O primeiro passo é ter disciplina e dedicação. O aprendizado de um novo idioma precisa ser direcionado para ser efetivo. Uma rotina diária de estudos não somente é necessária como é indispensável. Os exercícios de pronúncia devem ser executados com um aluno que esteja em um nível superior ao seu, porque dessa forma seus erros serão notados. Existe muito conteúdo de qualidade totalmente disponível na internet bem como aplicativos para conversar com nativos tais como o Tandem e o Linguado, que possuem em suas versões não pagas, várias opções para troca cultural com pessoas do mundo todo, além de cursos online gratuitos que darão foco ao seu processo de aquisição do novo idioma. Portanto, o inadmissível é não aprender inglês.
Se como peça fundamental na sua carreira esse texto ainda não te convenceu a começar aulas de inglês, o fato de um cérebro bilíngue conferir habilidades e vantagens cognitivas com certeza irão fazer você dar uma segunda chance para o “Verb to be”. De acordo com um estudo publicado em 2004 no qual Bialystok e colaboradores compararam a performance de controle cognitivo de idosos, ser bilíngue está associado com a diminuição do aparecimento de demência relacionado à idade retardando o surgimento de tal acometimento em até 5 anos. Estudos subsequentes corroboraram esses resultados e associaram também um declínio cognitivo em geral muito mais lento nos idosos bilíngues aumentando a expectativa e qualidade de vida desses indivíduos. Além disso, um cérebro bilíngue apresenta conexões cerebrais diferenciadas respondendo de maneira muito mais rápida e processando informações nas duas línguas concomitantemente.
Sendo assim, o caminho para se seguir é a capacitação contínua na nossa área, sem deixar de investir no inglês porque sem a proficiência desse idioma portas que poderiam estar escancaradas se fecham sem talvez terem a oportunidades de serem abertas uma segunda vez.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bialystok E, Craik FI, Klein R, Viswanathan M. Bilingualism, aging, and cognitive control: evidence from the Simon task. Psychol Aging. 2004

BORODITSKY, L. How language shapes the way we think. TED Talk. Disponível em: https://www.ted.com/talks/lera_boroditsky_how_language_shapes_the_way_we_think Acesso em: 21 de Abril de 2021 às 21:34

OLIVEIRA, S. Inglês: a Língua da Ciência. Biblioteca Central UFRGS Blog. Disponível em: https://www.ufrgs.br/blogdabc/ingles-a-lingua-da-ciencia/ Acesso em: 21 de Abril de 2021 às 15:20

PANKO, B. English is the language of Science. That isn’t a good thing. Smithsonian Magazine. Disponível em: https://www.smithsonianmag.com/science-nature/english-language-science-can-cause-problems-180961623/ Acesso em: 20 de Abril de 2021

WENNER, M. The Neural Advantages of speaking 2 languages – Bilingual people process certain words faster than others. Scientific American Mind. Disponível em: https://www.scientificamerican.com/article/bilingual-brains/ Acesso em: 23 de Abril de 2021 às 21:34

Compartilhe este artigo:

Bioquímica Brasil

O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

bioquimicabr@gmail.com

Bioquímica Brasil

O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

bioquimicabr@gmail.com

0 comentários

REDES SOCIAIS & CONTATO

FACEBOOK LINKEDIN INSTAGRAM

bioquimicabr@gmail.com

FACEBOOK
LINKEDIN
INSTAGRAM

bioquimicabr@gmail.com

Bioquímica Brasil ©. Divulgando a ciência Bioquímica desde 2014!