Bioquímica Clínica aplicada ao Monitoramento e Tratamento de Diabetes

por | mar 9, 2020

Diabetes é uma doença crônica onde o corpo não consegue produzir insulina, ou utilizá-la de forma adequada. A insulina é um hormônio que regula os níveis de glicose no sangue. A glicose é obtida na alimentação e utilizada como uma fonte de energia. Quando se há diabetes, os níveis de glicose se tornam elevados, então ocorre a chamada hiperglicemia, podendo gerar danos em vários órgãos. As causas da Diabetes podem ser variadas, mas as principais são: a má alimentação e a pré-disposição genética. A Diabetes Mellitus (DM) é classificada em três tipos: tipo 1 (insulino dependente) ocorre a ausência ou redução da  secreção de insulina da células do pâncreas, decorrente de fatores hereditários, destruição das células por anticorpos ou vírus; tipo 2(não insulino dependente) possuem diferentes níveis de resistência a insulina e ocorre em 90% da população; e o Diabetes Mellitus gestacional, em que 7,6% das gestantes possuem intolerância à glicose, podendo ou não persistir após o parto.

Em 2015, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) estimou que 8,8% da população mundial com 20 a 79 anos de idade (415 milhões de pessoas) detinham da diabetes. Em 2016 foi à sétima causa de morte, além da cegueira, insuficiência renal, ataque cardíaco e amputação de membros inferiores. Em 2018 6,9% da população brasileira tinha Diabetes e este número tende crescer ainda mais, estima-se o crescimento de 114% a partir de 2000 até 2030, sendo diferente em diferentes partes do mundo (Figura 1).

Figura 1-Evolução do Diabetes pelo mundo

O tratamento da diabetes é feito através de medicamentos e adoção de hábitos saudáveis com o objetivo de manter a glicemia controlada. A pessoa diabética precisa manter os níveis de açúcar controlados, e para isso é usado o glicosímetro, um dispositivo portátil capaz de examinar o material em minutos. A pesquisa realizada visa analisar a evolução de três diferentes métodos de monitoramento e tratamento da diabetes, comparando-as e visando melhoria na qualidade de vida.

O primeiro é o automonitoramento da Glicemia Capilar (AMGC). É muito útil para o controlar glicêmico, uma vez que o próprio paciente pode identificar a glicemia capilar, podendo fazer ele mesmo a correção. Este método consiste na inserção de uma gota de sangue capilar em uma fita biossensor descartável acoplada ao glicosímetro, que quantifica a glicose plasmática após sofre ação enzimática, este método é recomendado para pacientes com DM1 e DM2 em uso de insulina. O segundo é o (SMCG) Sistema de Monitoramento Contínuo da Glicose em líquido intersticial, o qual permite medir continuamente a glicose no líquido intersticial. Este sistema funciona mediante implantação de um sensor no tecido subcutâneo, que transmite informação a um aparelho monitor. Tal sensor assemelha-se a uma bomba de insulina e contém glicose oxidase, a glicose se difunde através de uma membrana para alcançar a camada contendo a enzima. Esta se converte a glicose em sinal eletrônico, diretamente proporcional à concentração de glicose. Os resultados obtidos pelo sensor são transferidos para o monitor, que armazena os dados e é utilizado para calibração. Alguns modelos permitem visualização em tempo real. O terceiro é o (FGM) Sistema Flash de Monitoramento da Glicose pode ser utilizada para substituir o método AMGC; consiste em um sensor colocado na camada subcutânea, ele possui um fio de 0,5 cm de comprimento. Para a realização da leitura dos níveis da glicose intersticial, basta aproximar o leitor que capta as ondas eletromagnéticas do sensor, sendo que a leitura pode ser feita mesmo sob a roupa.

No final da pesquisa foi analisado os níveis glicêmicos após o monitoramento contínuo( Figura 2), percebe-se, uma queda nos níveis, além de valores mais estáveis.

   Figura 2-Monitorização contínua da Glicose

Ao comparar os três métodos de monitoramento observa-se que o método FGM fez-se mais eficiente por não necessitar de calibramento diário e possuir dados lidos por software, podendo ser consultado além da medição em tempo real, com os relatórios de medições anteriores. Diferentemente do SMCG que necessita de calibrações diárias e possuir um despertador acoplados para que as medições sejam feitas em tempo real, e também do AMGC, que causa desconforto ao paciente, já que é necessário uma gota de sangue capilar. Cada vez mais, novas tecnologias de monitoramento da glicemia difundem-se na comunidade médica e entre pacientes, pelas vantagens de uso dos sensores de glicemia diariamente.

Referências:

http://www.fumec.br/revistas/computacaoesociedade/article/view/7312

https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/diabetes

https://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1560-o-fim-das-picadas-novos-recursos-para-a-avaliacao-dos-niveis-de-glicose

Rita da Silva Guerra - Membro do Centro Acadêmico de Bioquímica da Universidade Federal de Viçosa

Email: rita.guerra@ufv.br

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O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

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