Bioquímico na área da perícia criminal

por | abr 29, 2019

Bioquímico na área da perícia criminal

Sabia que as técnicas usadas para análise de DNA vêm sendo empregadas na perícia forense e tem ajudado a elucidar muitos casos, como de estupros e casos de grande comoção como tragédias em que corpos são carbonizados ou se encontram em avançado estado de composição, casos em que o material a ser analisado possui pouca quantidade ,que aparentemente não existe uma prova concreta? Então dê uma lida no texto que é muito interessante.

O ácido dexoribonucleico mais conhecido como DNA é a molécula que carrega nossas informações genéticas e por isso é tão importante na área da biologia molecular, o DNA possui uma alta estabilidade química isso devido à sua configuração que não tem uma hidroxila livre na extremidade 3'OH,trata-se de uma molécula de dupla fita estabilizada por interações fracas.

Eletroforese em gel de agarose

Trata-se de um método comparativo e semi-quantitativo que é empregado tanto para quantificar quanto para avaliar a integridade do DNA extraído como também para estimar o tamanho das moléculas por meio de comparação com marcadores e/ou géis de referência. Amostras de boa qualidade apresentam bandas íntegras e as degradadas apresentam arraste. Quantificação é feita pela intensidade observada no gel. Abaixo é mostrada uma figura de como fica a imagem de eletroforese após realizado todo o procedimento seguindo o protocolo mais adequado para a situação em questão e mostra a separação em bandas de DNA por peso molecular.

Imagem de eletroforese

Researchgate.net

PCR

Trata-se de uma técnica que usa primers para estender o fragmento de DNA a partir de pequenas quantidades e é capaz de replicar o material genético, uma importante técnica. Abaixo uma imagem ilustrativa com alguns passos realizados na PCR e o que o primer faz ao elongar e replicar a cadeia de DNA.

Imagem de PCR

Master Mixes/ NEB

O primeiro relato do uso de técnicas da biologia molecular sendo usada na elucidação de casos periciais aconteceu na década de 1980.

No Brasil, o primeiro julgamento a utilizar a análise de DNA foi em 1994, para o ministro Ruy Rosado de Aguiar “a realização de investigação genética, através de DNA, é sempre recomendável, porque possibilita ao julgador um juízo com altíssima probabilidade, senão certeza” (FETZNER,2010).

O uso de técnicas da biologia molecular tem sido usada em casos em que vestígios de estupros têm sido confrontadas com amostras de material genético e com bases de DNA é possível comprovar ou não a autoria com uma certeza muito grande.

A análise de DNA é vista como forma de corpo de delito, tendo destaque dentro da perícia criminal. Em 2012 foi aprovada a lei N 12.654 de 2012,que autoriza o uso de coleta de material para fins  de investigação criminal e a criação de um banco de dados de perfis genéticos de condenados por crimes hediondos. Foi criada uma Rede Integrada de Banco de Perfis Genéticos (RIBPG)no Brasil, com o objetivo de melhorar e integrar a comunicação entre laboratórios oficiais de perícia.

O número de amostras cadastradas vem crescendo a cada ano. A análise de DNA é vista como prova concreta em diversos casos. O exame de DNA pode confirmar com grande garantia  a autoria de diversos crimes pois sempre um suspeito deixa algum vestígio de ordem genética que é possível ser amplificada com bases nas técnicas que são usadas para análise de DNA é possível amplificar e replicar esse material com altíssima fidelidade e por se tratar de material que apenas pessoas especializadas e com técnicas próprias são capazes de ver esses vestígios que os suspeitos muitas vezes não se atentam e nem julgam ser possível serem pegos.

Entre as técnicas aqui citadas a PCR é a mais eficaz pois é capaz de amplificar a pequena quantidade de material genético, a técnica de Southern Blotting possibilita identificação específica de bandas que na eletroforese não é possível.

Com isso é que profissionais da bioquímica trabalhem na área de perícia criminal lançando  mão  de seu conhecimento bioquímico, químico, de biologia molecular na extração, conservação, na análise do DNA seguindo protocolos específicos  para uma boa análise e preservação do material sem degradar o DNA, podendo elucidar casos que sem o uso dessas técnicas seria muito difícil de se chegar ao responsável.

Para alunos do curso de bioquímica que se interessam pela área da perícia criminal essa é uma boa opção, uma vez que vai lançar mão de seus conhecimentos para ajudar a elucidar casos que impactam a sociedade e dar uma resposta à família das vítimas e para a sociedade.

Fonte: Revista Científica UMC Mogi das Cruzes,V.3,N.2,agosto 2018.ISSN2525-5250

http://seer.umc.br/index.php/revistaumc/article/view/246

 

Geisiane Aparecida Mariano, membro do CA Bioquímica UFV.

Geisianemariano@yahoo.com.br

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