O consumo de álcool faz bem à saúde?

por | jun 4, 2018

Há muito tempo se ouve falar que o consumo moderado de álcool, como uma taça de vinho ou um copo de cerveja por dia, pode fazer bem à saúde. E, por ser uma questão um tanto quanto controversa, existem diversos estudos na área. Esses estudos apontam para a relação desse consumo moderado com a redução do risco de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e artrite, por exemplo. Além disso, já foram observadas melhoras em quadros de diabetes e elevação do nível de HDL, o colesterol “bom”. Um ponto importante é que nenhum desses estudos conseguiu explicar o mecanismo causador dos benefícios.

Mas, recentemente, um grupo de pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) – USP conseguiu determinar um possível mecanismo para proteção do coração, com atuação da aldeídodesidrogenase-2 (ALDH2). A enzima, que é responsável pela eliminação dos subprodutos do álcool no organismo, consegue metabolizar também moléculas reativas produzidas nas células cardíacas, como o C9H16O2 (4-HNE), sendo, então capaz de melhorar a viabilidade de tecidos sobre situações de estresse e dano. Eles mostraram também que o consumo de baixas quantidades de álcool causa um pequeno estresse nas células do coração, criando uma memória bioquímica do estresse.

Em estudos anteriores, o grupo já havia mostrado que durante a isquemia e reperfusão, a atividade da ALDH2 era significativamente reduzida, permitindo o acúmulo de 4-HNE, causando dano celular. Nesse novo estudo, foram realizados experimentos para avaliar o papel do álcool e da ALDH2 na proteção do coração, através da simulação das condições de isquemia e reperfusão em corações de camundongo, usando um sistema ex vivo, no qual o órgão permanece em funcionamento fora do organismo, recebendo oxigênio e solução nutritiva. Os resultados obtidos demonstram que tanto o etanol quanto a enzima estão intimamente relacionados com a proteção do coração.

Mas o grupo ainda destaca que é preciso se atentar a fatores genéticos, já que em indivíduos com mutações no gene da ALDH2, o consumo de álcool pode maximizar danos no organismo. O agravamento dos danos também é percebido quando o consumo ultrapassa a moderação e se torna excessivo, porque o excesso de acetaldeído produzido dificulta a ação da ALDH2.

Clara  Laguardia
Membro do Centro Acadêmico de Bioquímica
claranogueira.ln@gmail.com

 

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