Alelopatia: Uma área emergente da Ecofisiologia

por | nov 1, 2015

Você sabe o que é alelopatia? No texto de hoje, Bruno Ribeiro Gomes aborda essa área emergente dentro da Ecofisiologia e uma grande oportunidade para os Bioquímicos mais atentos às novidades. Confere aí!
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O termo alelopatia foi criado em 1937 pelo pesquisador alemão Hans Molisch para descrever as interações bioquímicas entre as plantas, incluindo também entre estas e os microorganismos (PUTNAM; TANG, 1986; MEDEIROS, 1990). Proveniente do grego (allelon: mútuo; pathós: prejuízo), está relacionado à capacidade das plantas, superiores ou inferiores, de interferir positivamente ou negativamente na germinação de sementes e/ou no crescimento de outras espécies vegetais, influenciando o seu desenvolvimento, por meio de compostos químicos, denominados aleloquímicos (MEDEIROS, 1990). Tais compostos são liberados por vários mecanismos incluindo a lixiviação pela água pluvial, exsudação pelas raízes, decomposição natural de partes das plantas na superfície ou no próprio solo. Inúmeras substâncias aleloquímicas foram isoladas e identificadas, tendo sido avaliados seus efeitos na germinação, no crescimento, bem como as alterações metabólicas produzidas (RIZVI; RIZVI, 1992).
Grupos Químicos
Diferentes grupamentos químicos como ácidos fenólicos, cumarinas, terpenóides, flavonóides, alcalóides, taninos, quinonas complexas, podem ser os responsáveis pelos efeitos alelopáticos observados nas plantas (EINHELLIG, 1986; MEDEIROS, 1990). Compostos fenólicos como os ácidos: benzóico e cinâmico, cumarinas e os flavonóides estão entre os mais comumente associados com a ação alelopática (EINHELLIG, 1986). Tipicamente os aleloquímicos interferem nas plantas suprimindo a germinação, causam injúrias durante o crescimento da raiz e meristemas e, então, inibem o crescimento das plantas.
Hans Molisch
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Pesquisador alemão que, em 1937, deu origem ao termo Alelopatia, que se mantem o longo do tempo. Professor Dr. Hans Molisch (1856-1937) foi filho de um fazendeiro. Ambos seus pais tinham paixão pela jardinagem. Molisch viveu na cidade alemã de Brunn, onde existem diversos institutos de pesquisa científica. Gregor Mendel, inclusive,  foi professor de um desses institutos de pesquisa, a fundação de ciências naturais da Universidade de Brunn, e visitou o jardim da família Molisch em 1865 (Narwal e Jain, 1994). Assim, foram plantadas as sementes  da subseqüente e distinta carreira  de Hans Molisch como um botânico com um olhar químico. Estas duas disciplinas, a botânica e a químca, continuam a apoiar a investigação contemporânea em alelopatia.
Alelopatia
A presença destes compostos é reconhecida como um importante mecanismo ecológico que pode provocar influências significativas no manejo agrícola ou florestal: na dominação de certas espécies vegetais; na sucessão dos plantios e na rotação dos cultivos, podendo favorecer ou prejudicar o desenvolvimento de um determinado produto agrícola e, portanto, afetando sua produtividade (CHOU, 1986; FERREIRA; AQUILA, 2000).
Muitos compostos biologicamente ativos obtidos das plantas já estão sendo usados no controle de ervas daninhas (muitas das quais apresentavam resistência a várias categorias de herbicidas usualmente empregados), de insetos e de microrganismos patogênicos, podendo constituir-se em uma alternativa ao uso dos defensivos agrícolas, com menores riscos ao meio ambiente, mantendo um melhor equilíbrio do ecossistema (RIZVI; RIZVI, 1992; CHOU, 1998).
A utilização de plantas companheiras tem sido usada com sucesso para minimizar o efeito alelopático em áreas cultivadas por períodos muito longos com a mesma espécie; também podem ter papel na fertilização do solo ou como alternativa de renda para o produtor fora do período de colheita da cultura principal. São plantas companheiras pertencentes a espécies ou famílias, que se ajudam e complementam mutuamente, não apenas na ocupação do espaço e utilização de água, luz e nutrientes, mas também por meio de interações bioquímicas (Alelopatia). Seguem alguns exemplos: tomate, batata, pimentão que se associam muito bem com abóbora, pepino, melão, melancia, chuchu, por exemplo.
por Bruno Ribeiro Gomes, graduando em Bioquímica na UEM.

 

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O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

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