Controle de Qualidade: Indústria de Bebidas na Tial

por | out 22, 2014

A entrevistada de hoje, Talita Reis que é bioquímica formada pela UFV (2008), atualmente Instrutora de Formação Profissional do SENAI - Visconde do Rio Branco-MG/Sistema FIEMG, e foi responsável técnica pelo laboratório de Controle de Qualidade da Sucos TIAL, unidade Visconde do Rio Branco-MG.
- (Bioquímica Brasil) Talita, você poderia fazer uma breve descrição do seu dia-a-dia de trabalho como bioquímica na área de controle de qualidade de bebidas e sucos?
(Talita) Atualmente não estou trabalhando diretamente na indústria, faço parte agora do SENAI/FIEMG atuando como ponte para o desenvolvimento da indústria e incluindo jovens no mercado de trabalho. Faço parte da equipe do curso Técnico em Alimentos. No entanto só consegui esta oportunidade por fazer parte da indústria, no caso, a Tial. Quando comecei lá, era Analista do Sistema da Qualidade, controlando o sistema de documentação da empresa, procedimentos operacionais, Sistema de Gestão Integrado, elaboração de planos de auditorias, treinamentos, controle e implementação de ferramentas de qualidade, registro de ações e corretivas e preventivas dos processos, garantindo melhoria contínua. Fiquei com esta função por 2 anos. Logo em seguida, consegui uma promoção e me tornei responsável técnica pelo laboratório de Controle de Qualidade. Controlava todo o sistema de Gestão do Laboratório, desde a aquisição de materiais de consumo, reagentes e equipamentos, emissão de laudos, coleta e preparo de amostras, realização de análises microbiológicas, controle microbiológico de superfícies, equipamentos e manipuladores dentro da produção. O responsável técnico de um laboratório, mais do que realizar análises rotineiras, tem que controlar todo o funcionamento do laboratório, desde a entrada de amostras até a emissão dos resultados e bloqueio de lotes, se for o caso. O profissional do controle de qualidade, deve acima de tudo, ter coragem e persistência, pois às vezes temos que ir contra a vontade dos colaboradores e pensar no resultado da análise e a consequência que isso pode acarretar na saúde do consumidor final. Hoje, como Instrutora de Formação Profissional do SENAI, tenho esta experiência de indústria que faz a diferença e consigo passar uma realidade para os alunos que eu não consegui ter na universidade. Além de dar aulas, como instrutora, faço atendimentos direto à indústria (de acordo com a demanda), treinamentos recrutamentos para colaboradores da indústria, além de promover eventos na área de alimentos participar de projetos acadêmicos. Apesar de ser uma das mais novatas nessa área, diante dos meus colegas, gosto muito da minha rotina de indústria.
- O que te fez abrir os olhos para esta área?
Na verdade fiquei um pouco frustrada em saber que talvez o único rumo para o Bioquímico fosse realmente uma vida de pesquisador. Não que eu não goste, tá no sangue né, no entanto minha curiosidade em saber o que era o tão temido “mercado de trabalho” era bem maior. Queria realmente ter uma rotina, conhecer os processos industriais, usar crachá, etc...
- Como surgiu esta oportunidade de emprego para você? Você fez estágio nessa área antes, enviou email diretamente para eles, contou com algum recrutador ou indicação de professores/amigos?
Quando ainda era estudante na universidade, por minha conta, procurei estágio no laboratório de controle de qualidade da Rio Branco Alimentos (Pif Paf). Enviei meu currículo para o responsável e como era período de férias, consegui a vaga. No caso da Tial, também “dei a cara à tapa” e fui conversar com responsável técnico (que foi meu supervisor por dois anos). Naquela época tinha acabado de ser reprovada na prova de mestrado em Bioquímica Agrícola da UFV e isso me deu uma força de vontade enorme. Conhecia um dos diretores da Pif Paf e pedi a ele que me apoiasse nessa empreitada. Dois meses depois fui recrutada para a entrevista e consegui a vaga. Já aqui para o Senai, eu já havia conseguido um contrato certa vez, pela própria Pif Paf e quando saiu a vaga fiz minha inscrição. No SENAI tem processo seletivo e entrevista, é um pouco mais puxado, mas sempre tem vaga, em diversas áreas, é só cadastrar o currículo no site da FIEMG.
 - Quais disciplinas do curso (com base na grade da UFV) você recomendaria ao bioquímico fazer para atuar nesta área? Acha que existe necessidade de fazer uma pós-graduação (mestrado/doutorado stricto sensu) ou MBA em qualidade?
Disciplinas da área de gestão, que são um pouco escassas, microbiologia dos alimentos, análise bromatológica de alimentos, isso para trabalhar em laboratório. Teria que ter uma disciplina de Sistema de Gestão Integrado, ou qualquer coisa parecida, que envolve ferramentas importantes de qualidade, boas práticas de laboratório (que não é tão simples quanto o nome sugere), normas ABNT, dessa forma você pode tranquilamente candidatar-se a uma vaga de analista do sistema da qualidade ou do controle da qualidade. Quando eu entrei na Tial, tive muita dificuldade em entender estes processos, pois não havia sequer ouvido falar na universidade. Acho que fazer uma pós-graduação é de extrema importância, independente de qual área for, porque uma coisa que não fica parada é a vida na indústria, tem sempre nova legislação, novas metodologias, enfim, só estudando mesmo para se atualizar.
- Você participou de Empresa Junior-Tecnomol, CA ou PET?
Cheguei a participar da empresa Júnior – Tecnomol, aliás, fui da primeira gestão. No entanto a área que eu atuava (membro do Conselho Administrativo) não interferiu tanto em minha vida profissional, pois o que eu fazia na Tial e o que faço no SENAI são atividades bem diferentes da Tecnomol.
- Como você aplica os conhecimentos adquiridos no curso no seu dia a dia de trabalho? Poderia nos citar alguns exemplos?
Tanto no laboratório da Tial, quanto com os alunos no SENAI, questões práticas e simples fazem toda a diferença. Por exemplo, comportamento durante um experimento, seriedade nas análises, manuseio dos equipamentos. Para a carreira na indústria mais importante do que a teoria é a prática. Aqui no SENAI, já lecionei por exemplo, Química dos Alimentos, conhecida também como Bioquímica dos Alimentos, que vai além da bioquímica básica que aprendemos no curso. Tive que me reciclar e estudar qual a aplicação das macromoléculas no desenvolvimento de produtos e sua função na garantia da qualidade dos alimentos. Isso eu não sabia, tive que estudar, e muito. Agora, microbiologia foi moleza, sempre dominei todas as técnicas, mas de qualquer forma, só conhecia as técnicas básicas e não os procedimentos específicos para análise de alimentos. 
- Percebe vantagens e/ou desvantagens de se ter a formação superior em Bioquímica para esta atuação profissional?
Percebo só vantagens, já que conseguimos logo de início um cargo de maior importância dentro da empresa. Além disso, como indica minha própria experiência, é com justamente esta grande bagagem que temos em análises laboratoriais que nos deixa em vantagem nos processos seletivos.
- Que conselhos você daria ao atual aluno de bioquímica?
Não tenham medo de tentar o novo, o diferente, mesmo que nunca ninguém tenha tentado ou conseguido.. Cadastrem seus currículos em todos os processos seletivos que achar interessante. Trabalhem muito seu senso de equipe e organização, isto fará falta no futuro. E façam estágio, ganhem experiência, nos acertos e nos erros também. Pensem que o NÃO, todos nós temos, o que nos resta é o SIM, então vão buscá-lo!!! E acima de tudo, fé em Deus, porque o que é seu... é só seu!!!!

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Bioquímica Brasil

O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

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