O vírus da zika e sua possível imunoproteçao contra o vírus da dengue.

por | mar 12, 2018

O Brasil é um país que se caracteriza por apresentar climas úmidos e quentes. Essa predominância torna-se um atrativo para que se estabeleça um grande número de insetos, como é o caso dos mosquitos do gênero Aedes. As espécies desse gênero são de grande relevância por serem vetores de algumas doenças importantes, como a dengue, Zika e chikungunya.

Um artigo publicado em fevereiro na revista The Lancet Global Health trouxe uma hipótese em relação a infecção do zika vírus. No estudo, é relatado que a infecção pelo vírus pode estar ocasionando uma imunoproteção contra as subsequentes transmissões do vírus da dengue. O artigo apresentou resultados de pacientes que foram infectados por dengue, Zika e chikungunya em Salvador-BA

A pesquisa começou em 2009 e se estendeu até o final de 2017 e foram analisados 3.330 moradores da cidade de Salvador. Entre 2009 a 2013 o alvo dos testes foi o vírus da dengue, mas com a chegada do vírus da zika em 2014 os pacientes em estudo também realizaram teste para esse vírus.

De acordo com os dados coletados, foi possível observar algumas evidências estatísticas sobre a redução dos casos de dengue antes e depois da epidemia de zika que ocorreu em 2015. No trabalho apresentado, do ano de 2009 até março de 2015, 484 de 1937 pacientes analisados foram designados com dengue. Entretanto, a partir de abril de 2015, onde houve um aumento dos casos de zika, os dados em relação a infecção pelo vírus dengue diminuíram para apenas 43 de 1334. Tendo em vista que no ano de 2016 não houve mais ocorrência de casos de dengue.

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Figura retirada do artigo, no qual os dados em (A) são casos de infecção por vírus da dengue em pacientes com doença febril aguda confirmada por RT-PCR; e (B) casos de infecção por vírus da dengue confirmados por RT-PCR, IgM ou NS1 ELISA, ou isolamento viral, entre pacientes com suspeita de dengue de Salvador. As figuras também mostram a freqüência de casos de laboratório de infecção do vírus Chikungunya confirmados por RT-PCR ou IgM ELISA e de infecção por vírus Zika confirmada por RT-PCR.

 

Uma forma de verificar as análises feitas é através do vírus da chinkungunya. Por apresentar o mesmo vetor da zika e da dengue, e também, por ter chegado ao Brasil na mesma época do vírus da zika, a frequência dos casos da chinkungunya permaneceu elevada durante todas as análises. Assim, é possível confirmar que o ambiente estava propício para o vetor de transmissão do vírus da dengue.

Com isso, os pesquisadores chegaram à conclusão que pode haver uma imunoproteção contra a dengue nos pacientes que já foram infectados pelo vírus da zika. Assim, essa descoberta pode auxiliar nos estudos de imunopatogênese da dengue e da zika, como no desenvolvimento de vacinas contra esses vírus.

Larissa Araújo
Membro do Centro Acadêmico de Bioquímica na UFV
laris.c.araujo@gmail.com

 

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O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

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