Identificação de veneno no Post Mortem

por | out 24, 2020

  Uma das formas de assassinato mais encontradas ao longo da história antiga é o envenenamento, como por exemplo a morte de Don João VI rei de Portugal por arsênico mesma substância tóxica que matara Napoleão. Todavia com o passar dos séculos esse método ainda continua presente em nossa sociedade, atualmente, pois ao abrir jornais, revistas ou ao assistir a noticiários há sempre relatos de pessoas que morreram vítimas dessas substâncias nocivas ao organismo o que vem acontecendo muito com moradores de rua nos últimos anos. Nesse artigo me prenderei a mostrar a visão laboratorial sob a ótica da toxicologia forense na identificação do agente tóxico no Post Mortem, ou seja, após a morte.

Quando acontece a necropsia de um indivíduo e nesta há achados necroscópicos e um histórico do caso que nos leve a deduzir que um agente tóxico está envolvido nessa morte é necessária uma análise toxicológica sistemática,  caso não haja nenhuma suspeita de um veneno específico, pois assim poderá ser constatado qual o veneno causador da morte e em que concentração ele estava presente no organismo. Para isso, é necessário a coleta de materiais biológicos específicos, que serão preparados e analisados usando técnicas como cromatrografia em camada delgada e(ou) imunoensaios, espectrometria de massas (CG-MS) em conjunto com a cromatografia líquida ou gasosa. Com base nisso a seguir irei abordar o passo a passo desde a escolha dos materiais a serem analisados até a fase de elaboração do laudo pontuando e comentando cada processo.

 1 - Coleta do material

Várias amostras biológicas são usadas para os testes toxicológicos para detectar presença de veneno no post mortem mas os mais comuns são Sangue Cardíaco 25ml, Sangue Periférico 10 ml, Fígado 50g, todo o conteúdo gástrico, todo o material de urina, Encéfalo 50g, Rim 50g Humor Vitreo toda material ( Gel que preenche a cavidade posterior do olho). Vale destacar que para escolher qual amostra será utilizada nas análises toxicológicas, é importante considerar a especificidade de cada situação, bem como o tipo de análise que se deseja realizar, isto é, o que será investigado, a partir das suspeitas levantadas.

2 - Preparação do material biológico

Nessa fase há um tratamento prévio das amostras biológicas, com objetivo de concentrar e isolar os analitos de interesse para a resolução do caso. Abaixo está listado as principais técnicas que são empregadas para obter essas amostras concentradas e isoladas e repare que cada amostra biológica passa por uma técnica diferente pois estas dependem de sua propriedade e matriz biológica.

Hidrólise conjugada: urina, bile

Separação de compostos lipídicos: Encéfalo, Fígado

Centrifugação: sangue, urina e humor vítreo

Desproteinização: sangue total

3- Triagem

Depois dos processos supracitados, com o material colhido e preparado é feita a triagem que poderá excluir ou indicar um determinado grupo de toxicantes. Nessa fase, serão realizados testes como cromatrografia em camada delgada ou imunoensaios dependendo do caso pode-se realizar os dois testes afim de obter resultados mais conclusivos. Todavia, essa etapa pode levar a muitos falsos positivos já que esses métodos de análise não são muito específicos, assim não sendo muitas vezes viável para dar um parecer final sobre o caso, por isso são utilizados testes mais sensíveis e específicos com objetivo de obter um resultado mais claro sobre os analitos

4– Analise utilizando técnica padrão ouro

 Nessa fase se usa a espectrometria de massas (CG-MS)  em conjunto à cromatografia líquida ou gasosa que no mercado hoje são padrão ouro ou seja tem alta especificidade para os analitos investigados além de diminuir a chance de falsos positivos. Além desse processo também são feitos testes confirmatórios como testes de cromatografia em fase líquida ou gasosa que são acoplados as vários.

5- Interpretação dos resultados

Nessa fase os resultados iram ser analisados e interpretados para dar um parecer final sobre o tipo de substância ou substâncias tóxicas que levaram o individual a morte, e também nessa etapa será levado em conta algumas coisas muito importantes como grau de toxicidade, tempo de meia vida biológica e potencial de causar tolerância

6- Laudo

Nessa parte o responsável pelos testes deve preencher com uma série de informações, com objetivo de dar um parecer sobre a causa da morte e demostrar os meios que ele utilizou para chegar a uma determinada conclusão. Neste documento deve haver a identificação da amostra que matou o paciente e sua descrição, natureza e concentração, exames realizados, resultados obtidos, lacre, documentação e quesitos do material recebido

Referências:

https://ibapcursos.com.br/toxicologia-forense-deteccao-de-drogas-em-amostras-biologicas/

https://jus.com.br/artigos/21390/investigacao-policial-analise-toxicologica-post-mortem

latox.univali

química-forense

Autor: Ian de Paula Alves Pinto, graduando em Bioquímica pela Universidade Federal de Viçosa

Email: ian.pinto@ufv.br

 

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O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

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