O panorama da profissão de bioquímica frente a automação e robotização

por | jul 26, 2020

Texto da Bacharela em Bioquímica pela UFV Yaankha Barbara, Assessora Administrativa do TecnoParq UFV.

Com certeza você já viu algum ranking com as profissões com mais chances de desaparecer por causa da inteligência artificial ou da robotização. Mas nem precisamos voltar nosso olhar para o futuro, pois esse tipo de mudança já faz parte do nosso presente. Quando vamos sacar dinheiro em um banco físico usamos o caixa eletrônico, ao ligar para alguma operadora de celular somos prontamente atendidos por uma voz robótica e se queremos exercitar o nosso inglês basta abrir um aplicativo. Essas mudanças estão acontecendo há uns 20 anos!

Mas como fica a profissão de Bioquímico nesse contexto? Segundo o site “Will robots take my job?” (https://willrobotstakemyjob.com/), há uma chance de apenas 3% da profissão Bioquímica ser substituída pela inteligência artificial. Um nível de risco considerado como “totalmente seguro” pelo próprio site, o que é uma ótima notícia para quem já está nesta área e para quem está entrando!

Ainda assim, parte das atividades desempenhadas dentro da profissão são lineares, parametrizadas e repetitivas. Funções que vão desde análise de dados, pipetagens e até as mais complexas como sequenciamento de DNA, estão nesse grupo que contém as características necessárias para serem automatizadas. Por isso, o site sugere que a probabilidade de que a profissão do Bioquímico passe por um processo de automação em algum ponto nas próximas duas décadas é de 31%.

Para entender melhor quais os parâmetros que normalmente são analisados nesse tipo de análise, é importante entender, ainda que superficialmente, o artigo publicado em setembro de 2013 pelos pesquisadores Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, “The future of employment: how susceptible are jobs to computerisation?” (O futuro do emprego: quão susceptíveis são os trabalhos à informatização?). Nele foi estabelecido os três principais critérios para mensurar a probabilidade de uma profissão sobreviver à inteligência artificial e à automação, sendo eles:

  • Percepção e manipulação: tida como destreza do polegar, destreza manual e espaço de trabalho de difícil acesso;
  • Inteligência criativa: tida como originalidade e composição artística;
  • Inteligência social: tida como percepção social, negociação, persuasão e cuidado com o outro.

Quanto mais uma profissão necessita e utiliza cada critério acima, maior a probabilidade dela resistir à tendências de automação e de robotização. Portanto, o que confere o título de profissão segura quanto á robotização para a bioquímica é o quanto ela forma profissionais que dominem os três critérios mencionados acima.

A Bioquímica é uma área essencialmente curiosa, investigadora e inventiva por natureza e, por isso, extremamente original e, por conseguinte, “criativa”; o que é reforçado na própria graduação com o incentivo a participação do desenvolvimento de projetos de diferentes subáreas. Sem dúvidas, dentro deste contexto, esta é a principal característica do profissional que o torna dificilmente substituível por máquinas ou algoritmos.

O melhor ponto é que a inteligência criativa é uma habilidade que pode ser muito bem treinada cotidianamente; a encontramos no dia-a-dia, seja pela curiosidade inata em entender os processos, seja aprendendo atividades novas ou redecorando seu quarto. Uma excelente forma de despertar a criatividade é através do curso de Reaprendizagem Criativa, do Murilo Gun (https://keeplearningschool.typeform.com/to/p7l78M).

Com relação à inteligência social, é algo que diferencia o profissional entre os seus pares da mesma área, seja na carreira científica ou em outras. Saber se comunicar de forma adequada, conseguir vender suas ideias (ou produtos) e apresentar um trabalho ou projeto com maestria são apenas alguns exemplos de como as habilidades consequentes da inteligência social podem ser fundamentais para otimizar a performance de um profissional. Embora isso não seja algo ensinado formalmente na graduação, ainda assim é incentivado através dos inúmeros trabalhos em grupo a serem apresentados, por exemplo. Com certeza é algo que só se aperfeiçoa com a prática, mas existem excelentes organizações brasileiras que oferecem cursos que contribuem para o desenvolvimento de habilidades comportamentais, como a Fundação Estudar, a BBI of Chicago e a Escola Conquer.

Por fim, chegamos às habilidades de percepção e manipulação, que no contexto da Bioquímica é o que garante o manuseio de diferentes ferramentas e equipamentos, inclusive aqueles com alto grau de automatização e robotização. Um exemplo claro sobre isso é a robotização de diversos exames realizados por laboratórios de análises clínicas, que não só garantem maior precisão do resultado, como um maior volume de análises por dia. Ou seja, é nessa habilidade que deverão ocorrer muitas mudanças para os bioquímicos, em direção a menos manuseio manual e maior uso de softwares, equipamentos automáticos e robotizados e instrumental analítico.

Ainda assim, é válido questionar se hoje o Brasil de fato se encaixa na previsão realizada pelo site “Will robots take my job?”, já que as Universidades e o mercado de trabalho ainda não estão vivenciando esta realidade em sua maioria, tal como já é vivenciando em países como Japão, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Portanto, não há profissão que resista incólume ao futuro próximo, pois todas evoluirão conforme o desenvolver das tecnologias, ainda que nossa industria, serviços e universidades estejam alguns passos atrás em relação aos países centrais. O Bioquímico, contudo, é capacitado para dominar as tecnologias vigentes e construir soluções inovadoras para lidar com as tecnologias que virão e problemas complexos . E como o futuro precisa de inovações, precisaremos de bioquímicos!

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O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

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