O Bioquímico empreendedor: o caso Probiofull, FIEMG e UFSJ

por | out 22, 2017

Tuânia Silva é Bioquímica formada pela UFSJ (2011- 2015), e mestranda em Bioquímica e Biologia Molecular pela UFSJ. É membro fundador da startup Probiofull, umas das 4 vencedoras que serão aceleradas pelo FIEMG Lab Acelera Mestrado e Doutorado.

Heloísa Colares é Bioquímica formada pela UFSJ 2010- 2014 e mestre em Bioquímica e Biologia Molecular pela UFSJ (2014- 2016) e doutoranda em Bioquímica e Biologia Molecular pela mesma instituição. Recentemente se juntou ao time da startup ProbioFull.

-  (Bioquímica Brasil) Como foi sua escolha do curso? Quando optou pela bioquímica já sabia que era diferente de farmácia e de biotecnologia?

Heloísa: A escolha do curso de Bioquímica foi por ter interesse nas disciplinas de química, biologia e matemática no ensino médio. Tive dúvidas entre bioquímica e engenharia química, nas logo no inicio do curso me encantei por ele. Já conhecia sobre as diferenças entre farmácia e biotecnologia pois um amigo já cursava bioquímica pela UFV, com isso pude conhecer mais sobre o curso e fazer minha escolha.

Tuânia: A escolha do curso de Bioquímica foi por ter interesse nas áreas biológicas no ensino médio. Ao optar por Bioquímica já tinha pesquisado a área, mas confesso que não tão afundo, ainda tinha alguns aspectos que não tinha conhecimento sobre a diferença, que logo no primeiro período tomei conhecimento.

- Nos conte como foi sua trajetória acadêmica até aqui?

Heloísa: Comecei a cursar Bioquímica no segundo semestre 2010, e logo vi que seria um curso bem difícil, que abrangeria diversas áreas de conhecimento. Durante minha graduação participei do programa PET Bioquímica e também fiz iniciação científica sob orientação da prof. Dr. Débora Lopes, no laboratório de Biologia molecular da UFSJ, onde tive contato com diversas técnicas laboratoriais e me encantei ainda mais pela bioquímica, trabalhei a otimização da expressão e purificação de uma quimera protéica feita a partir de epítopos do Schistosoma mansoni para a síntese de uma vacina, defendi minha monografia no meio de 2014 com este projeto. Logo em seguida já iniciei meu Mestrado em Bioquímica e Biologia Molecular sobre orientação do Prof. Dr. Helder Valadares, desenvolvi durante dois anos o projeto titulado como: Identificação molecular do Trypanosoma cruzi em alimentos contaminados artificialmente, estes 2 anos me trouxeram muita maturidade e diversos conhecimentos avançados. Em 2017 iniciei meu doutorado em Bioquímica e Biologia Molecular também pela UFSJ, sobre orientação do professor Dr. Paulo Granjeiro já tinha em andamento a ProbioFull onde participaram e foram para final do Inovativa Brasil no semestre passado, e agora fomos selecionados para o FIEMGLAB Acelera Mestrado e Doutorado, onde eu e a Tuânia, aluna de mestrado também envolvida no projeto, receberemos uma bolsa da FIEMG.

Tuânia: Comecei a cursar Bioquímica no segundo semestre 2011, de inicio me assustei um pouco, mas comecei a apaixonar-me cada vez mas pela Bioquímica. Passei por momentos de muita persistência, conflitos se era aquilo mesmo que queria, mas como cada período uma matéria me surpreendia com tamanho conhecimento fui percebendo que era isso mesmo que queria, apesar de saber que o caminho era difícil. Em 2013 entrei para o Laboratório de Microbiologia sobre orientação da Professora Juliana Teixeira de Magalhães, em que trabalhei inicialmente com a determinação da diversidade genética de bactérias lácticas, adquirindo conhecimentos da área de microbiologia e de biologia molecular. Defendi minha monografia em 2015 com o trabalho intitulado Purificação e caracterização de biossurfactante produzido por bactérias lácticas, também sobre a orientação da professora Juliana, adquirindo mais experiência em microbiologia principalmente em bactérias lácticas e na área de biossurfactantes.

Nesse ano iniciei o Mestrado em Bioquímica e Biologia Molecular sobre orientação do Professor Paulo Afonso Granjeiro, em que através de um convite do professor Paulo e da Professora Juliana que já tinham em andamento a Probiofull onde participaram e foram para final do Inovativa Brasil no semestre passado, comecei a pesquisa com bactérias lácticas com potencial probiótico, com o qual fomos selecionados para o FIEMGLAB Acelera Mestrado e Doutorado.

- Pode nos contar como esta trajetória influenciou para que viesse a integrar o time da startup?

Heloísa: Durante minha graduação, mestrado e doutorado, fiz diversas disciplinas que envolviam empreendedorismo e inovações tecnológicas, posso destacar as diciplinas de administração e empreendedorismo, biotecnologia da saúde, biotecnologia vegetal e inovação e empreendedorismo, todas estas me despertaram um interesse para criar soluções para problemas, ter pensamentos inovadores e estar sempre antenada para novidades no meu campo de trabalho. Isto com certeza me ajudou a ser chamada para integrar a equipe da ProbioFull que é uma startup composta pela aluna de mestrado Tuânia, o professor Paulo Afonso Granjeiro, a professora Juliana Teixeira de Magalhães, temos como mentores o Sr. Márcio, consultor e instrutor da Sereno Diniz Associados, SEBRAE, SENAI e SENAC do RJ e o pesquisador José Mauro Granjeiro, pesquisador Sênior do InMetro.

- Poderia nos contar um pouco mais sobre a startup da qual é co-fundadora?

Tuânia e Heloísa: A Probiofull é um startup composta por mim Tuânia, o professor Paulo Afonso Granjeiro, a professora Juliana Teixeira de Magalhães, temos como mentores o Sr. Márcio, consultor e instrutor da Sereno Diniz Associados, SEBRAE, SENAI e SENAC do RJ e o pesquisador José Mauro Granjeiro, pesquisador Sênio do InMetro e recentemente houve a entrada da doutoranda Heloísa Colares do programa de PMBqBM também orientanda do professor Paulo. Formando um time multidisciplinar e engajado para fazer a transferência de projetos acadêmicos para o setor de produção.

O projeto propõe um alimento funcional que traz benefícios à saúde do consumidor devido à presença de lactobacilos vivos. Os lactobacilos com potencial probióticos foram isolados de queijo Minas da região de Divinópolis. A aplicação do probiótico em frutas tipícas brasileiras será uma novidade no mercado, porque quase todos os alimentos probióticos encontrados hoje no mercado brasileiro são de origem láctea, favorecendo assim o consumo de pessoas que não querem e/ou não podem consumir produtos lácteos, como os vegetarianos, veganos, pessoas com intolerância à lactose ou com alergia às proteína do leite e quem evita ingestão de colesterol.

A visão da ProbioFull é também ampliar a aplicação dos probióticos para outros setores das indústrias, como cerveja artesanal, farmacêutica e cosméticos. Os probióticos serão produzidos utilizando resíduos da indústria de laticínios, um dos setores mais produtivos da regional Centro-Oeste, segundo o PCIR, programa estratégico da FIEMG.

- Como você aplica os conhecimentos adquiridos no curso no seu trabalho?

Heloísa: Ainda trabalho bastante com pesquisa e experimentos em bancada. Assim sendo, realizo a aplicação de ampla gama de conhecimentos adquiridos durante a graduação em Bioquímica e meu mestrado como rotina. Necessito de aplicar técnicas de microbiologia e de biotecnologia nos meus experimentos. Participando de uma startup também começo a aplicar os conhecimentos da disciplina de Administração e Empreendedorismo que tive na graduação e no mestrado, com as apresentações dos Pitch, modelo de negócio entre outros.

Tuânia: Aplico principalmente os conhecimentos adquiridos nas áreas de microbiologia e de biotecnologia nos meus experimentos, o que me da base para o manuseio dos microrganismos. Participando de uma startup também começo a aplicar os conhecimentos da disciplina de Administração e Empreendedorismo, com as apresentações dos Pitch, modelo de negócio entre outros.

- Quais são as principais dificuldades para um bioquímico construir sua startup nos dias de hoje?

Heloísa: Considero hoje que para montar uma startup as dificuldades encontradas por um bioquímico e qualquer outra área, a questão de apoio financeiro, e não só para montar startup e também para fazer a pesquisa básica. Além em saber como aplicar o conhecimento para gerar um produto que irá atender a demanda e expectativa do mercado consumidor, e dos futuros investidores.

Tuânia: Considero hoje que para montar uma startup as dificuldades encontradas por um bioquímico e qualquer outra área, a questão de apoio financeiro, e não só para montar startup e também para fazer a pesquisa básica. Além em saber como aplicar o conhecimento para gerar um produto que irá atender a demanda e expectativa do mercado consumidor, e dos futuros investidores.

- Que características técnicas (disciplinas) e humanísticas você acha que o bioquímico deve desenvolver para trilhar o caminho do empreendedorismo?

Heloísa: As disciplinas essenciais são aquelas que vierem a fornecer base teórica ao bioquímico para que possa aprofundar seus estudos no campo de seu interesse. Destacam-se também as disciplinas que nós proporcionam uma visão tecnológica e empreendedora. Com relação às características humanísticas, o bioquímico deve ser questionador, buscar sempre inovação e melhoria de processos e produtos com os quais lida, ter conhecimento teórico da área a que se dedica pesquisar, estar sempre antenado para novidades no seu campo de trabalho, ser capaz de trabalhar em equipe e principalmente em equipes multidisciplinares, ter ética nas pesquisas, disciplina, dedicação, aumentar sua rede de contatos e buscar ter conhecimentos de mercado.

Tuânia: Pelo conhecimento que aos poucos estou adquirindo acredito que para trilhar o caminho empreendedor um bioquímico deve ter características como uma ética nas pesquisas, resiliência, disciplina, dedicação, conhecimento do mercado que pretende participar, desenvolver uma boa postura e oratória, aumentar sua rede de contatos, conhecimentos financeiros, ter um bom conhecimento na sua área de pesquisa, sempre se reciclando quanto ao assunto. O curso de Bioquímica nós da uma visão tecnológica e empreendedora que deve ser bem aplicadas e refinadas ao longo do tempo.

- Você pensa que alguma alteração na grade de disciplinas poderia favorecer a atuação do Bioquímico na área do bio-empreendedorismo?

Heloísa: Poderiam existir desde o começo do curso mais disciplinas obrigatórias ou optativas sobre empreendedorismo. Acredito também, que mesmo as disciplinas não voltadas para o empreendedorismo podem desenvolver trabalhos de forma a incentivar que o aluno busque soluções inovadoras para problemas e otimização de projetos.

Tuânia: Apesar do curso de Bioquímica nos preparar para ser empreendedores ainda falta questões de como fazer uma pesquisa de mercado, como nós portarmos diante de investidores, conhecimentos financeiros, o que considero que somos cru, uma mudança na grade adotando uma disciplina de oratória, básico de mercado, já ajudaria e muito nessas questões.

- Considera que são importantes atividades como visitas técnicas e estágio para o processo de formação profissional do bioquímico?

Heloísa: O estágio traz uma visão diferente para o profissional bioquímico de como o mercado atua fora do setor acadêmico. Assim como as visitas técnicas que iram facilitar a aprendizagem e visualização de como o processo ocorre na prática, o que senti falta na época da graduação.

Tuânia: Apesar de não ter feito estágio acredito que o estágio traz uma visão diferente para o profissional bioquímico de como o mercado atua fora do setor acadêmico. Assim como as visitas técnicas que iram facilitar a aprendizagem e visualização de como o processo ocorre na prática, o que senti falta na época da graduação.

- Com base na sua experiência, que conselhos você daria ao atual aluno de bioquímica?

Heloísa: Um conselho que eu daria é tenha muita persistência, dedicação e foco, pois eu como bioquímica sei da dificuldade do curso, e das incertezas sobre o mercado profissional. Mas que apesar de tudo, bioquímica é um curso que pode abrir diversas portas, para alcançar sucesso profissional em diversas áreas.

Tuânia: A bioquímica é um setor amplo que abre muitos caminhos, com muita dedicação, trabalho, resiliência, podemos cada vez mais mostra o nosso potencial de cientista empreendedor.

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O movimento Bioquímica Brasil foi fundado em 2014 por egressos e estudantes dos cursos de Bioquímica.

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